Parceiros da saúde
Psicologia & Urologia no tratamentos das disfunções sexuais
CLÍNICA ENDO-UROLÓGICA DO PARÁ: Urologia & Psicologia em Belém na medida certa
   Casa      Menstruação pela urina
Segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Relato de um caso de menstruação pela urina


DISCUSSÃO

 

A endometriose vesical e uma patologia observada comumente em mulheres em idade fértil, embora ocorra em menopausadas, ainda que muito mais raramente.


O quadro clínico e inespecífico, onde as queixas mais comuns são: menúria (hematúria cíclica), disúria e aumento da frequência miccional, podendo ocorrer dor hipogástrica; este quadro pode apresentar-se de forma cíclica, exacerbando-se durante o período menstrual. 3 7 9 17 A detecção de massa palpável ao exame físico (toque bimanual) é da ordem de 50%. 9 1517.


A paciente apresentou um distúrbio miccional relacionado a dor lombar e abdominal baixa, disúria terminal e ardência vulvar, e que foi inicialmente relacionado a presença de cólica renal e infecções urinárias inespecíficas, apoiado no exame físico e exame laboratorial de urina, que em via de regra apresentava piúria e bacteriúria.

A maioria dos casos estão relacionados a cirurgia ginecológica anterior, mesmo que esta tenha ocorrido há vários anos. Neste caso, não foi encontrada tal correlação, restando outras hipóteses para justificar a causa. Existem três principais teorias para justificar a patologia:


A teoria migratória, proposta por Cullen em 1896, e que consiste na migração de células para a bexiga de forma direta por fluxo menstrual retrógrado através de vasos sanguíneos ou linfáticos; esta teoria também se aplicaria às cirurgias, por implantação direta. A teoria embriônica defende a presença de restos embrionários do ducto de Muller, o que explicaria a existência da desordem em homens, porém não foram encontrados maiores relatos na literatura pesquisada. Já a teoria metaplásica fala na presença de células totipotenciais na serosa peritoneal, as quais poderiam originar epitélio endometrial.6 9 11 15 16.


Técnicas imunohistoquímicas utilizando anticorpos anti-receptores de estrógenos e progesterona, podem ser utilizadas em virtude da dependência hormonal do tecido endometrial.


As técnicas de imagem são fundamentais para o diagnóstico desta patologia, uma vez que seus sintomas não são específicos. O exame ultrassonográfico tem se mostrado o método não invasivo mais eficaz no diagnóstico da lesão, e, nesse contexto, a via transvaginal deve ser a preferida, segundo o estudo de Fedele e Col. O mesmo se dá em relação à ressonância magnética, ainda que esta não seja tão viável e tenha uma sensibilidade ligeiramente menor em determinar as margens da lesão, quando comparada a ultrassonografia transvaginal. A ultrassonografia por via abdominal é capaz de detectar a lesão em todos os casos, porém é menos precisa do que os dois métodos já citados.

 

Raimundo Abdon