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Psicologia & Urologia no tratamentos das disfunções sexuais
CLÍNICA ENDO-UROLÓGICA DO PARÁ: Urologia & Psicologia em Belém na medida certa
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Farmácia é paraíso de macho

POTÊNCIA: Comprimidos para disfunção erétil viram coqueluche e fogem ao controle da comunidade médica.

 

COMPORTAMENTO:

“O jovem pode começar a experimentar o medicamento por curiosidade e achar que sua performance está diretamente ligada ao uso do Viagra, até parar num especialista”.

 

Sônia Nascimento, psicóloga.

 


O tecnólogo L. C, 18 anos, comprou uma caixa de Viagra por ouvir relatos de amigos que se “deram bem” com a droga. “Foi mesmo curiosidade, mas ainda não usei. Não tive coragem. Quando quiser aumentar minha performance, vou usar” garante. L. demonstra conhecer bem o assunto. “Tenho um amigo representante do Viagra aqui em Belém e ele mesmo disse que o Cialis é mais forte e proporciona uma ereção de seis horas. O Viagra é apenas quatro horas”, conta. Segundo ele, o amigo informou que o Viagra não provoca efeitos colaterais, “no máximo uma dor de cabeça”. E que pessoas que possuem marca-passo não podem tomar o medicamento porque “dilata as veias e acelera o coração”. O tecnólogo diz ainda que tem uma namorada fixa que não sabe que ele tem o medicamento. “Só vou usar com ela numa ocasião especial”, assegura.

 

COMPORTAMENTO: Curiosidade e melhora de performance sexual. Essa combinação vem se tornando explosiva e fazendo com que cada vez mais homens saudáveis procurem os balcões das farmácias na busca de medicamentos para disfunção erétil, sem apresentar a patologia. O Viagra, Cialis e o Levitra são as drogas mais procuradas. Jovens de 18, 19 e 20 anos estão utilizando esses medicamentos para gerar uma resposta sexual inadequada. Mas para entender os motivos desse comportamento é necessário entender os antecedentes biológicos, psicológicos, culturais e até religiosos que influenciam a juventude.

 

Biologicamente, o jovem desde os 13, 14 anos, por conta dos hormônios, já está preparado para uma resposta sexual, mas psicologicamente ainda não há um amadurecimento, criando-se um nó na cabeça dessas pessoas. Culturalmente, as sociedades mais conservadoras pregam que o jovem não pode manter relações sexuais antes de estar casado e trabalhando com condições de sustentar sua família. “Aí entram os fatores religiosos com dogmas que afirmam que se masturbar é pecado. A angústia fica maior. Ora, se não pode transar ou se aliviar, como resolver o problema da explosão hormonal que gera a necessidade sexual na flor da idade?” questiona a psicóloga SÔNIA MARIA GARCIA NASCIMENTO.

 

Por outro lado, nem a família nem a escola tratam a questão sexual dos jovens de maneira adequada, na avaliação da psicóloga. Somado a isso há os traumas de infância, gerado por problemas familiares com pais e irmãos. “Toda essa situação provoca um quadro de ansiedade grande no indivíduo, que cria expectativas fantasiosas da realidade que podem trazer consequências psíquicas e orgânicas graves”, ressalta.

 

PSICÓLOGA APONTA PARA ANSIEDADE

 

A baixa auto-estima pode ser somada ao estresse e ao medo da performance sexual obsessivo que irá desencadear num comportamento sexual compulsivo.

“Neste contexto a mídia divulga o lançamento de uma pílula milagrosa, que resolve tudo. Primeiro o jovem experimenta o álcool, uma droga social para ficar desinibido, depois ele experimenta o ecstasy para ficar ainda mais ligado, com maior libido, mas para ter uma performance sexual satisfatória, precisa de outro estimulante. Aí entra o Viagra”, detalha a psicóloga SÔNIA MARIA GARCIA NASCIMENTO.

 

O vício das drogas está muito ligado à curiosidade, à experimentação, mas a psicóloga afirma que o processo de provar ou não, depende da história de vida de cada um. “Geralmente, o individuo inseguro precisa provar a droga e ver para crer, para tentar se sentir melhor. O mesmo se aplica a esse tipo de medicamento”, disse a psicóloga.

 

P.R.D, casado, 24 anos trabalha como balconista de uma farmácia de propriedade do irmão, na periferia da cidade. Ele revela que sua clientela básica, são senhores de meia-idade e idosos com mais de 65 anos, que procuram diariamente a farmácia na busca da “pílula do amor”.

 

Só que ele vende o “Potent”, um concorrente mais popular do que o Viagra. A caixa do medicamento custa R$ 150,00 e o vendedor revela que faz o fracionamento da droga, vendendo cada pílula entre R$ 15,00 a R$ 20,00 a unidade. Por dia, chega a comercializar até cinco comprimidos. Ele garante que nunca utilizou a droga, mas que já deu a um amigo de 20 e poucos anos que, apesar de casado, ia para uma festa de despedida de solteiro e precisava “de uma força para dar conta das mulheres”.

 

ANSIEDADE ─ Para SÔNIA NASCIMENTO, o uso indiscriminado do Viagra e de outros medicamentos semelhantes está diretamente ligado à ansiedade, que nada mais é que um medo, um instinto de autoprevenção. “Quando o organismo se estressa, entra em estado de alerta, que é um processo normal. Isso só passa a ser anormal quando causa desconforto e precisamos de certos apoios, como o medicamentoso. Isso se aplica ao jovem, que pode começar a experimentar o medicamento por curiosidade e achar que sua performance está diretamente ligada ao uso do Viagra, até parar num especialista”, disse SÔNIA NASCIMENTO, que faz um trabalho conjunto sobre disfunções sexuais com a psicóloga  Maria da Conceição Carneiro Oliveira.

 

UROLOGISTA ADVERTE PARA A AUSÊNCIA DE ESTUDOS

 

A ingestão de qualquer tipo de medicamento vem acompanhada de efeitos colaterais. O Urologista Dr. RAIMUNDO ABDON afirma que o sildefanil (Viagra) vem sendo utilizado de maneira “caótica” no Brasil, já que não necessita de prescrição médica. “Por essa razão o Viagra é uma droga que foge ao controle da classe médica”. Ele lembra que nos primeiros seis meses de uso do Viagra, ocorreram 70 mortes por uso indiscriminado nos EUA.

 

Do total de mortes, metade ocorreu nas duas primeiras horas de uso do Viagra, sendo que algumas delas foram verificadas dentro dos motéis. Dessa metade, o estudo catalogou algumas que tiveram como causa o infarto agudo do miocárdio e hipotensão arterial, já que o Viagra tem uma ação vasodilatadora, que leva a uma queda de pressão à níveis insustentáveis e pode causar a morte, dependendo da reação de quem ingeriu.

 

Entre os efeitos colaterais já comprovados pelo Viagra estão a coriza, rubor facial e crises de enxaqueca, relacionados à dilatação de vasos. Como o sildenafil ainda é uma droga recente, o Urologista Dr. RAIMUNDO ABDON alerta que ainda não há estudos que apontem dependência química ou que o uso indiscriminado possa provocar impotência permanente. “A princípio causa apenas uma dependência psíquica, já que o usuário relaciona sua performance sexual ao uso da droga”, explica.

 


Texto de: Luiz Flávio JORNAL DIÁRIO DO PARÁ / edição de: 27/02/2005.